Cuidado colaborativo: a experiência em ‘Pinda’

22/12/2020 / por Fundação ProAr

Destaques da live realizada em novembro sobre um modelo desenvolvido na cidade de Pindamonhangaba (SP) que vem melhorando o atendimento de asma e DPOC


Uma nova ponte que vem unindo profissionais da atenção básica de saúde aos médicos especialistas foi o tema de mais uma live no canal do Youtube da Fundação ProAR. O debate “Cuidado colaborativo: uma experiência brasileira" tratou de examinar como esse novo modelo agiliza a troca de informações e melhora sensivelmente a comunicação  entre as duas pontas do atendimento.

Três médicos, sendo dois da atenção básica e uma da secundária, relataram como essa intervenção foi aplicada com sucesso em Pindamonhangaba, no interior paulista - cidade carinhosamente chamada de “Pinda” pelos convidados. A mediação foi conduzida por Dr. Rafael Stelmach, presidente da Fundação ProAR e consultor da implantação dessa experiência no município de 168 mil habitantes. 

Coube ao presidente da Fundação explicar que os profissionais de unidades de pronto atendimento passaram a trabalhar em sintonia com os médicos da atenção especializada, como pneumologistas, cardiologistas e ortopedistas. “Existe uma integração entre esses dois níveis de atendimento. Passam a fazer uma interação baseada em educação médica. Os profissionais que estão nas unidades básicas são informados para melhorar o encaminhamento do paciente para o especialista”, resumiu Stelmach.   

Uma conversa que resolve

Dra. Mariah Prata, pneumologista do Incor/FMUSP e responsável pela condução local do cuidado colaborativo nos casos de doença respiratória crônica, lembrou que muitos pacientes com quadro leve eram encaminhados a um especialista sem necessidade. “Sempre me incomodou a rotina de trabalho da especialidade porque a gente tem aquela sensação de estar enxugando gelo. Recebíamos casos muito simples e muito leves, enquanto pacientes muito graves acabam ficando na fila”.

A pneumologista acrescentou que o modelo de integração qualificou o atendimento, abriu mais vagas para pacientes em risco, além de motivar médicos e enfermeiros: “Com o tempo, mais casos graves foram diagnosticados oportunamente e ganharam espaço no ambulatório. Os profissionais agora têm um interesse muito maior”.   

“O retorno foi muito grande”

Dra. Liliane Mello, pediatra da atenção básica em Pindamonhangaba, lembra que a insegurança no diagnóstico de crianças com problemas respiratórios deu lugar a um cenário diferente. “Existia um medo de confundir fibrose cística com asma, por exemplo. Fomos progredindo. Nesse período todo de experiência, encaminhei apenas uma criança para o especialista. O retorno foi muito grande. Nós conseguimos um controle de 100% das crianças com asma graças a esse treinamento”.

Dr. Dirceu Pontes Mello, pediatra da UPA em Pindamonhangaba, relatou que existia um preconceito dos pais com as ‘bombinhas’. Desmistificar o uso dos dispositivos de inalação e qualificar o tratamento evitaram encaminhamentos  desnecessários para médicos especialistas. “Lembro de apenas duas internações. O restante saiu após o uso do aerossol. Eu já conhecia as crianças com asma pelo nome. Hoje, isso não acontece. Meu sonho foi realizado: nós não temos mais sala de inalação. Há muito tempo que não lembro de óbito por doença respiratória”, comemorou. 


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