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    Tabagismo é a principal causa da doença pulmonar obstrutiva crônica

    23/10/2023 / por Fundação ProAr

    INCURÁVEL DPOC é hoje a terceira maior causa de morte natural no mundo e a quinta no Brasil

    Associada fortemente ao tabagismo, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a terceira principal causa de morte natural no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Incurável e progressiva, a doença geralmente é subdiagnosticada, pois tende a começar de forma assintomática ou apresentar sinais leves e inespecíficos.

    No Brasil, a DPOC é a quinta causa de morte mais comum, ficando atrás apenas da doença isquêmica do coração (angina), doenças cerebrovasculares (grupo no qual está o AVC), infecção de vias aéreas inferiores e as demências, sobretudo o Alzheimer. O dado consta no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Pulmonar Obstrutiva CrônicapublicadopeloMinistério da Saúde (MS) no final de 2021.

    O Protocolo informa ainda que “em revisão sistemática, encontrou-se prevalência nacional de DPOC agregada de 17% quando diagnosticada por avaliação espirométrica”. A maior prevalência foi identificada na região centro-oeste (25%),seguidadosudeste(23%) e da região sul (12%). O levantamento não localizou dados de DPOC nas regiões norte e nordeste do país que atendessem aos critérios de elegibilidade preestabelecidos.

    Avaliação

    “Inicialmente a pessoa não tem sintomas, principalmente se for uma pessoa que tem uma capacidade física boa, porque a força muscular pode ajudar a evitar, sobretudo a falta de ar. É uma doença arrastada, demora a se mostrar”, comenta o pneumologista Antônio Bruno Valverde, da Rede D’Or. Além da falta de ar, a DPOC em instalação também pode provocar tosse e secreção constante.

    Por isso, sua recomendação é que todas as pessoas que fumam ou já fumaram mesmo tendo abandonado o tabagismo há muitos anos busquem um pneumologista, possibilitando o diagnóstico na fase chamada de pré-DPOC.

    A avaliação preventiva também é importante para pessoas expostas a outras condiçõesderisco,comotrabalho em carvoaria, uso de fogões a lenha e exposição continuada a qualquer tipo de fumaça resultante de queima de biomassa matéria orgânica vegetal ou animal. O Protocolo do MS acrescenta a exposição à fumaça resultante da queima de querosene e também à sílica entre os ambientes e agentes nocivos.

    Segundo a OMS, a poluição do ar doméstico é a principal causa da doença em países pobres. A entidade aponta que 90% das mortes relacionadas à doença pulmonar obstrutiva crônica em pessoas abaixo de 70 anos acontecem em países com níveis baixo e médio de desenvolvimento. Nesses locais, o tabagismo é responsável por até 40% dos casos, enquanto chega a 70% em países de renda elevada.

    DiretordaFundaçãoProAr, entidade que busca expandir o acesso ao diagnóstico de doenças respiratórias crônicas, caso da DPOC, o pneumologista Álvaro Cruz esclarece que ainda é cedo para ter respostas definitivas quanto ao impacto dos cigarros eletrônicos e vapes. Quem fuma cigarros de tabaco, sejam industrializados ou artesanais, leva em torno de 20 anos para apresentar a doença.

    Quem fuma cigarros de tabaco leva em torno de 20 anos para apresentar a doença

    Cruz conta que a doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC, identifica um conjunto de patologias, mas duas são as mais significativas: o enfisema pulmonar e a bronquite crônica. Ele ressalta ser bastante comum os pacientes apresentarem enfisema e bronquite juntos, daí o agrupamento das doenças.

    Há pacientes nos quais os sintomas relacionados à bronquite são mais intensos, com maior presença de tosse e secreção, enquanto outros podem ter mais falta de ar, mais associado ao enfisema. Quando a pessoa a avaliação clínica é compatível com DPOC, a confirmação requer a realização do exame de espirometria, informa Cruz. “A pessoa tem que soprar num aparelho para registrar esse entupimento, essa obstrução da passagem do ar”, informa.

    Exame de imagem

    “É sempre importante fazer também um exame de imagem, de preferência uma tomografia computadorizada do pulmão, principalmente se a pessoa fumar. Esse exame servirá para observar o que tem de errado no pulmão, investigar, por exemplo, se a pessoa tem câncer de pulmão”, ressalta Cruz. Ele recomenda que fumantes façam tomografia anualmente para avaliar as condições do pulmão. Antônio Bruno Valverde acrescenta que a DPOC é caracterizada por uma perda de elasticidade no pulmão.

    “O diafragma, quando a gente contrai faz a inspiração, e quando o diafragma relaxa há a expiração. Aos pouquinhosopulmãovaiperdendo essa capacidade e também acontece uma redução da luz bronco-alveolar. Então, o estreitamento dos bronquíolos associado à incapacidade de elasticidade faz com que o ar entre, mas, na hora de sair, fique acumulado no pulmão”, detalha.

    Parar de fumar é a base do tratamento

    Quando o tabagismo é um hábito da pessoa diagnosticada com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a primeira medida para tratamento é parar de fumar. No entanto, não é raro que pacientes com casos mais leves continuem usando cigarros, alerta o diretor da Fundação ProAr, Álvaro Cruz. A depender do grau de avanço da patologia, abandonar o fumo pode levar a doença a estacionar, mas não há garantias.

    “A pessoa não fica 100% entre uma crise e outra, a tendência é ficar cada vez pior, o que aumenta a dificuldade respiratória e limita a pessoa em fazer exercício e fazer esforço”, des aca o pneumologista. Segundo o Ministério da Saúde, nas últimas décadas, a DPOCfoiaquintamaiorcausa de internação no SUS (Sistema Único de Saúde) entre pacientes com mais de 40 anos, correspondendo a cerca de 200 mil hospitalizações e um gasto anual de aproximadamente R$ 72 milhões.

    Pessoas com mais de 40 anos somam 200 mil hospitalizações em média

    A importância de prevenir e, quando não for possível, tratar precocemente e adequadamente é reforçada por um estudo citado por Cruz. Uma comparação entre pacientes internados com crise de DPOC e pessoas hospitalizadas em decorrência de infarto do miocárdio identificou que, um ano depois, a mortalidade no primeiro grupo foi de 22%, enquanto entre os infartados apenas 7% morreram. Além de cessar a exposição aos fatores de risco, seja o tabagismo ou ambientes com fumaça resultante de queima de biomassa, o tratamento inclui o uso de medicamentos broncodilatadores.

    Medicação

    O médico explica que pode ser usada apenas uma medicação, uma combinação de dois broncodilatadores ou ainda ser agregado um terceiro medicamento, com efeito anti-inflamatório, nos pacientes com quadros inflamatórios mais graves. A indicação para desinflamar, completa, é o uso de corticoesteroide inalável, um tipo de medicamento disponível nas farmácias e também fornecido pelo SUS.

    Segundo o pneumologista, embora houvesse dúvidas anteriormente, hoje já existem diversos estudos demonstrando a eficácia do tratamento medicamentoso em conter a progressão da DPOC, portanto reduzido a mortalidade associada à doença.

    O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, publicado pelo Ministério da Saúde no final de 2021, preconiza ainda a inserção de pacientes com DPOC em um programa de reabilitação pulmonar. Conforme consta no documento, essa medida “contribui para a melhora da qualidade de vida, redução de exacerbações e hospitalização e melhora da capacidade para realizar exercícios físicos”.

    
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