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    Vacina BCG: a principal prevenção contra a tuberculose e manifestações agressivas da doença

    29/06/2020 / por Fundação ProAr

    No dia 1 de Julho comemora-se o Dia da Vacina BCG, que deve ser aplicada nos primeiros dias de vida da criança.

    Nos últimos meses todas as atenções estão viradas para a crise sanitária provocada pelo coronavírus, porém não podemos esquecer que, até então, a doença infectocontagiosa que mais mata no mundo é a tuberculose. Só em 2018, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), ela vitimou cerca de 4,1 mil pessoas por dia. A importância de alertar sobre seus riscos, gravidade e a recomendação crucial da vacina BCG é, portanto, fundamental para combatê-la.

    Vacina BCG e sua origem

    A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) leva o nome dos seus dois desenvolvedores: Camille Guérin e Albert Calmette, do Instituto Pasteur, em Paris, e começou a ser produzida em 1921. Inicialmente, a BCG era administrada oralmente e foi a partir de 1968, que começou a ser aplicada via intradérmica no Brasil.

    A BCG faz parte do Calendário Básico de Vacinação do Brasil e é obrigatória para menores de um ano, que devem ser vacinados de preferência antes de deixar a maternidade. É recomendado que os recém-nascidos tenham um peso igual ou maior que 2kg e estejam em perfeitas condições de saúde para receber a BCG. Estudos apontados no livro “Controle da Tuberculose, uma proposta de integração e ensino”, publicado pela editora Fiocruz revelam ainda que as crianças que não foram vacinadas no início da vida podem e devem receber a vacina durante a idade escolar, isso vai ajudar na disseminação da imunização das crianças nas escolas e em toda a comunidade.

    Tuberculose, vacina BCG e sua eficácia

    A tuberculose é transmitida por gotículas eliminadas pela respiração, espirros e tosse. Para ocorrer a proliferação é necessário que o vírus chegue até aos alvéolos, pois é a partir daí que a doença pode invadir toda a corrente linfática e alcançar os gânglios (os linfonodos), e os órgãos de defesa do organismo. Caso as gotículas não cheguem aos pulmões, por exemplo, a infecção não acontece.

    Como a tuberculose destrói a estrutura alveolar, forma-se uma espécie de caverna nos tecidos pulmonares e os vasos sanguíneos podem se romper. Por isso, na tuberculose pulmonar, é frequente a presença de tosse com expulsão de catarro, muco e sangue. Além dos pulmões, a doença pode atacar os rins, ossos, e também meninges.

    No Brasil, mesmo que o tratamento seja garantido pelo SUS e levar em média de 6 meses, a imunização é fundamental. A vacina BCG apresenta uma proteção de mais de 80% contra as formas graves e disseminadas da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar. No que diz respeito à tuberculose pulmonar, sua eficácia é variável, indo de zero a 80%, além de apresentar diferenças entre os países.

    A doutora em pneumologia pela UNIFESP, Marcia Telma Guimarães Savioli, explica porquê essa eficácia pode variar.

     “Realmente em relação à forma pulmonar, os resultados são discordantes, variando de ausência de efeito a níveis próximos a 80%.Estudos que levaram a este resultado divergente, diferem entre si quanto a algumas características, a exemplo da faixa etária dos casos incluídos na análise, proporção das diversas formas clínicas de TB, fonte e processo de seleção de controles e tamanho da amostra.

    Os principais fatores para esta discordância são: variabilidade biológica da BCG devido a diferentes cepas, via de infecção, micobactérias ambientais. Outros fatores podem ser apontados como relacionados às condições de utilização da vacina, como viabilidade, dose utilizada, via de administração; fatores relacionados ao hospedeiro, como estado nutricional, outras infecções e aspectos genéticos.”

    Os “antivacinas” e o direito das criança a saúde

    Se o adulto, no Brasil, se recusar a vacinar crianças sob sua tutela, esta ação configura negligência e, em alguns casos, crime. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), prevê que os cuidados com a saúde dos filhos e tutelados é um dever e seu descumprimento pode levar desde sanções leves até à destituição da guarda, dependendo das circunstâncias. Tramitam em tribunais de justiça brasileiros e ao redor do mundo ações e requerimentos sobre responsáveis que não querem vacinar seus filhos por levantam bandeiras antivacinas.

    Nos últimos tempos, movimentos de negação da ciência e de teorias da conspiração ganharam adeptos ao redor do mundo e a eficácia das vacinação também foi atingida por eles. O marco foi 1998, quando um artigo com informações adulteradas que ligava vacinas a autismo foi publicado no prestigiado periódico científico The Lancet. Em 2011, a revista reconheceu o erro e retirou o texto de suas publicações, porém o estrago já estava feito e esta corrente tem se propagado na internet e, particularmente, nas redes sociais, onde se replicam teorias que ligam imunização a doenças e até à morte.

    Quando se opta em não vacinar uma criança, seus responsáveis o colocam em risco e também qualquer pessoa que tenha contato com eles.
    “Hoje, vivemos uma situação de pandemia, a COVID-19, que faz com que todos clamem por uma vacina rapidamente e neste caso entendem sua necessidade.

    Desta forma, a presença da pandemia tão devastadora é uma facilitador para uma estratégia de educação ampla, motivacional, de fácil entendimento para combater essas falsas verdades em relação às vacinas.

    É preciso compreender que as vacinas já existem há muitos anos, com evidências científicas robustas e bem fundamentadas, por isso não há espaço para dúvidas quanto o benefício das vacinas”.

    
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