A corrida por uma vacina contra a Covid-19

05/08/2020 / por Fundação ProAr

Brasil torna-se território de pesquisa e testes de vacinas contra o novo coronavírus. Apesar da esperança por uma vacina em tempo recorde, é preciso cautela e não deixar os cuidados de higienização e o uso de máscara de lado.

 

A vacina contra a Covid-19 é uma esperança mundial. Mais do que uma medicação eficaz contra o coronavírus, parece ser o único caminho seguro para a volta de uma possível normalidade. No fim do mês de julho, a Universidade de Oxford em parceria com a biofarmacêutica anglo-sueca AstraZeneca, divulgou resultados animadores referente aos testes que estão realizando, inclusive no Brasil. Tal vacina é considerada a mais avançada pesquisa no momento, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), pois tem mostrado mais segurança e eficácia na indução de uma resposta ao sistema imunológico.

Os resultados das fases 1 e 2 da vacina foram divulgados na revista científica The Lancet  . O teste foi realizado de maneira randômica em 1077 pessoas saudáveis, sendo que um grupo recebeu vacina de meningite e o outro a que estava em teste, porém os voluntários não sabiam qual medicamento foi administrado.  O estudo destaca que, o grupo que recebeu a nova vacina contra o coronavírus, houve resposta positiva de células T, que destroem outras células infectadas e de anticorpos que atacam o vírus. 


Os efeitos colaterais analisados, de acordo com a divulgação, foram pequenos e puderam ser administrados e diminuídos quando os pacientes tomaram paracetamol, por exemplo. Entre eles estão a fadiga (em 70% dos casos) e dores de cabeça (em 68%). Outros efeitos observados pelos cientistas foram dor no local da injeção, calafrios, estado febril e temperaturas altas. Demais estudos ainda devem ser realizados, inclusive com a população idosa, a fim de garantir a segurança desse grupo de risco. 


Vacina: quais são suas etapas de validação?

Para elaborar uma vacina e chegar a sua produção de fato, pesquisadores necessitam seguir e fases para testar com a máxima segurança uma resposta de imunidade: 


  • A fase 1, chamada de exploratória, acompanha uma pesquisa e identificação de moléculas promissoras, os antígenos, que ajudam o corpo a estimular anticorpos. 
  • Já a fase 2, conhecida como fase pré-clínica, é onde ocorre a validação da vacina em organismos vivos. Porém, os testes são feitos em animais, como ratos. 
  • Por fim, chega a fase 3, a fase clínica, em que a vacina é testada em humanos. Ela também é dividida em 3 momentos: a-) Avaliação preliminar com poucos voluntários adultos e monitorados de perto; b-) Testes em centenas de participantes que indicam informações sobre doses e horários que serão usados na fase 3. Pacientes são selecionados de forma randomizada (aleatória) e são bem controlados, bem de perto; c-)  Um ensaio em larga escala (com milhares de pessoas) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da eficácia e segurança, além de prever eventos contrários. Só desta maneiras e com todas essas etapas é possível  passar para a fase de um registro sanitário.


Instituto Butantan na corrida contra a pandemia


Outra vacina que tem sido testada no Brasil é a da Sinovac Biotech, afiliada estatal do Grupo Farmacêutico Nacional da China, sediada em Pequim. Em parceria com o governo de São Paulo, cerca de 9 mil brasileiros participarão da fase 3 de testes, iniciada no final de julho. 


Mesmo sendo pouco conhecida no Brasil, a  Sinovac é uma empresa de quase três décadas e possui casos de sucesso em seu currículo: ela foi a primeira empresa a receber, por exemplo, a autorização para a vacina contra a gripe H1N1.

A tecnologia da CoronaVac, nome da vacina chinesa, utiliza uma técnica mais antiga, com o vírus inativado, que já é bem-sucedida para outras doenças, como hepatite e influenza (gripe). Vacina inativada significa que ela é composta pelo vírus morto ou parte dele, isso garante a não duplicação do vírus no organismo. 


Se os resultados da CoronaVac realizados em São Paulo forem positivos e a empresa Chinesa receber autorização para comercializar a vacina, o Instituto Butantan terá o domínio da tecnologia para sua produção em larga escala. 


Dr. Martti Antila, pós-graduado em Alergias no Hospital de Alergia e Dermatologia na Universidade de Helsinque, Finlândia, diz que nesta fase é muito difícil saber a eficácia definitiva desta ou daquela vacina, ou se a primeira a ser lançada será a melhor. Mas ele reforça que as informações que temos até o momento é que a CoronaVac é efetiva, segura em estudo menor, chamado de Fase 2 , que estimula a formação de anticorpos, mas que ainda necessitamos de respostas das pesquisas de fase 3, onde vamos ter dados sobre a segurança a médio e longo prazo, e se realmente é eficaz em vida real.

Mas Dr. Martti também destaca algo muito importante que tem circulado principalmente em redes sociais e que necessita de muita atenção.

“Circulam posts em mídias sociais sobre o malefício das vacinas, assim chamadas, ‘Chinesas’, é inverídico, muitos questionamentos sobre fazer testes clínicos no Brasil como se isto fosse um demérito. Todos os medicamentos, assim como as vacinas têm de ser pesquisadas em 4 partes do mundo, EUA, Canadá, Europa, Japão e o resto do mundo. Portanto, é indicado e esperado que estes estudos sejam feitos no Brasil, para avaliar a eficácia em nossa população, que é diferente, por exemplo, geneticamente da chinesa. Mais é um absurdo disseminar pelas mídias sociais tais ‘informações’ que não ajudam em nada a população, pelo contrário. Por exemplo, o Instituto Butantã, em contrapartida, também terá que fazer pesquisa clínica para entrar no mercado Chinês, com as vacinas de gripe e dengue”, explica. 


Um relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) com dados de julho revela que estão em desenvolvimento 163 candidatas a vacina contra o vírus SARS-Cov-2, causador da Covid-19, sendo que 23 delas estão efetivamente na fase clínica, ou seja, estão sendo testadas em humanos.


Vacina “no braço” e muita calma nessa hora


Mesmo que os estudos avancem em todo o mundo, alguns especialistas acreditam que a vacina não estará disponível em 2020. Para os mais otimistas, a vacina pode vir entre o período de 12 a 18 meses, o que já seria recorde mundial, afinal, a vacina mais rápida já criada foi a da caxumba e levou pelo menos quatro anos para ficar pronta.


Dra. Martti corrobora o pensamento de seus colegas cientistas. “Acredito que possa ser no final deste ano, 2020, até o inverno 2021. Neste período as indústrias  tentarão se preparar com matéria prima, maquinário, plantas industriais, que serão responsáveis nesta produção de bilhões de doses”, diz.


Já o biólogo Atila Iamarino, que tem se destacado na internet por divulgar conteúdos explicativos sobre coronavírus, acredita que, chegando a vacina, é preciso se atentar para sua eficiência, que pode ocorrer de fato quando uma parcela muito grande da população for vacinada, cerca de 70% a 90%. Se o número for menor que esse, o uso de máscara e o distanciamento social ainda serão necessários para evitar o contágio.


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