Nicotina 3.0: como o cigarro eletrônico pode ser nocivo à saúde

10/11/2020 / por Fundação ProAr

Com design atraente e forte apelo tecnológico, os cigarros eletrônicos viraram moda entre os jovens e acenderam alerta sobre como lidar com esse novo jeito de fumar.

Eles são compactos, têm cores variadas e soltam um vapor perfumado bem mais agradável que a fumaça malcheirosa dos cigarros de tabaco. Facilmente adquiridos pela internet, costumam ser apresentados por fabricantes como aparelhos que produzem "nuvens densas e saborosas". A roupagem moderna dos cigarros eletrônicos, não por acaso, caiu como uma luva no gosto dos jovens, e o aparelho rapidamente tornou-se um caso de saúde pública. 

Os vaporizadores, como também são chamados, não liberam alcatrão e monóxido de carbono gerados pela combustão do cigarro comum. No entanto, apresentam outras substâncias extremamente nocivas. "A nicotina do cigarro eletrônico tem, de um modo geral, que ser diluída em algum líquido para que possa ser inalada e, habitualmente, esses líquidos são substâncias provenientes do cigarro e são cancerígenas", esclarece Rosangela Vicente, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp).

A especialista diz que é preciso quebrar a cortina de fumaça em torno da ideia de que o cigarro eletrônico não vicia e é menos prejudicial que um cigarro comum. "Os jovens começam a usar por modismo, tornam-se dependentes da nicotina e são mais propensos a tornarem-se fumantes dos cigarros convencionais", adverte. Um amplo estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA) sobre a composição do vapor concluiu que a versão eletrônica reforça "não só a dependência física, mas também a dependência comportamental e psicológica”.

"20 a 80 minutos de narguilé equivale a 100 cigarros acendidos"

Outros produtos similares também caíram nas graças do público jovem. Espécie de cachimbo d'água usado com tabaco aromatizado, o narguilé libera um vapor que penetra mais intensamente nos pulmões e carrega substâncias cancerígenas, metais pesados, inúmeras partículas tóxicas, além de altos níveis de nicotina. "Uma sessão de 20 a 80 minutos de narguilé equivale a 100 cigarros acendidos", sentencia Rosangela Vicente.

Educação de impacto como antídoto

A coordenadora do PrevFumo lamenta a ausência de uma cultura educativa que coloque a nicotina no mesmo patamar de outras substâncias viciantes: "Sempre causa um certo impacto explicar que o mecanismo da dependência à nicotina é o mesmo da dependência à heroína, cocaína e morfina. Os jovens devem ser alertados que a dependência à nicotina do cigarro eletrônico e de outros dispositivos que utilizam tabaco aumenta a possibilidade que eles passem mais tarde ao uso do cigarro convencional". 


  • Asma
  • Bronquiectasia/ Fibrose Cística
  • Câncer de pulmão
  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
  • Tuberculose
  • fechar [x]

    eucalipto

    texto texto texto